BBC - Apenas em 1918, a gripe espanhola causou uma redução de 12 anos na expectativa média de vida nos EUA.
A gripe espanhola, a pandemia de um vírus que matou cerca de 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1920, deixou, segundo especialistas, lições importantes para os esforços de controle da epidemia do ebola.
Em novembro de 1918, quando o mundo celebrava o fim da Primeira Guerra Mundial, a gripe espanhola já despontava como uma ameaça ainda mais mortífera: o vírus fez três vezes mais vítimas fatais que o conflito e um quinto da população mundial foi infectado.
No Brasil, as estimativas são de que 35 mil pessoas morreram. Entre elas, o presidente eleito Rodrigues Alves, em 1919.
Numa questão de meses, a gripe já tinha causado mais vítimas do que qualquer outra epidemia com registros históricos. Matou de forma indiscriminada e rápida: nos Estados Unidos, por exemplo, em apenas um ano a expectativa média de vida caiu 12 anos, de acordo com estatísticas oficiais do governo americano.
O horror causado pela doença, no entanto, alertou para a necessidade de ação coletiva contra epidemias e deixou lições importantes no momento em que o mundo discute a contenção da epidemia do vírus ebola.
Ainda que os esforços de reconstrução e apaziguamento tenham dominado a agenda da Conferência de Paz de Paris 1919, o evento foi também uma oportunidade de discussão para esforços internacionais no combate a epidemias e lançou as bases para o sistema atual de controle global de saúde.
Nos anos 20, sob a batuta da Liga das Nações, a antecessora da ONU, o sistema atuou não somente em respostas às crises, mas em campanhas de prevenção e educação. O trabalho mais sério teve início quando o pior da gripe espanhola já tinha passado, mas foi crucial para lidar de maneira apropriada com a epidemia de tifo que assolou a Europa Central e Oriental.
BBC
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