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Documentos ignorados pelo Ministério Público reforçam denúncias de Valério

Written By Wolney Érick Oliveira on domingo, 23 de julho de 2017 | 15:16

Documentos da CPMI dos Correios deixados de lado durante as investigações do mensalão, em 2005, reforçam novas acusações do operador Marcos Valério sobre desvios no Banco do Brasil em benefício da sua agência de publicidade, a DNA Propaganda. Valério assinou acordo de colaboração com a Polícia Federal (PF), que ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Relatórios do Banco do Brasil mostram que a DNA recebeu R$ 17,3 milhões da Visanet em 2001 por serviços de publicidade, dos quais R$ 2 milhões foram sacados em dinheiro por pessoas físicas e funcionários da própria agência, de acordo com perícia realizada nas contas. Na época, a CPMI sugeriu que o Ministério Público investigasse “a utilização dos recursos” sacados entre 9 e 11 de novembro de 2001, durante o governo FH, o que nunca ocorreu.
Na delação fechada neste ano com a PF, Valério sustenta que o contrato do banco estatal com a DNA já era objeto de desvios para políticos quando ele entrou como sócio da agência, em 1997. Segundo ele, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebia mensalmente 2% do faturamento bruto do contrato. Os valores seriam pagos por meio de Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio e citado como representante do tucano na empresa. Ambos negam a acusação.
O relatório da CPMI dos Correios mostra que um dos sacadores dos recursos depositados para a DNA foi o motoboy Daniel Bonifácio do Carmo. Segundo a lista, ele recebeu cheques que totalizaram R$ 700 mil. Localizado neste ano pelo GLOBO, ele admitiu ter recebido os valores a pedido de seu empregador — uma empresa de factoring especializada em trocar cheques pré-datados por dinheiro em espécie.
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